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Aconselhamento Bíblico Noutético – Orientação Para a Vida


A importância da Revelação Especial

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Por “Revelação Especial” nos referimos aqui às Escrituras Sagradas, o registro da revelação divina e da vontade de Deus para os homens. Por isso ela é importante, pois, é nela que temos as diretrizes que devemos seguir para vivermos de forma agradável a Deus. Para confirmar o que estamos dizendo, voltemos a uma época em que ainda o cânon das Escrituras Sagradas não estava concluído, e Deus usava dos meios extraordinários para revelar Sua vontade aos homens. Vamos para 1Reis 13.

Por volta de 933 a.C., o grande rei Salomão morreu deixando o seu reino para seu filho Roboão, e este, por causa de sua insensatez causou a divisão do reino de Israel – dez tribos seguiram Jeroboão (um servo de Salomão, cf. 1Reis 11.26) formando assim o reino do Norte chamado de Israel tendo Samaria como capital, e duas tribos ficaram com Roboão formando assim o reino do Sul chamado de Judá cuja capital era Jerusalém (cf. 1Reis 12.16-20). Tudo isso foi Deus peando Sua mão sobre o pecado de idolatria de Salomão. Deus havia prometido abençoar a Jeroboão que se ele andasse em Seus caminhos, porém, Jeroboão não obedeceu a Deus, antes, foi responsável por afundar as dez tribos do Norte em terrível idolatria (cf. 1Reis 12.25-33).

Um certo dia, quando Jeroboão estava em Betel junto ao altar para queimar incenso (1Reis 13.1), o SENHOR Deus enviou-lhe um profeta para levar Sua palavra de condenação a qual consistia em duas profecias, uma que aconteceria 300 anos depois (v.2), e outra imediatamente (v.3-5), além de um castigo imediato sobre Jeroboão que teve sua mão ressequida ao tentar atacar o profeta (v.4), mas que foi restaurada por Deus mediante a intercessão do profeta (v.6). Jeroboão quis que o profeta o seguisse até sua casa onde seria recompensado pelo rei. Porém, o profeta recusou e disse ao rei: “Porque assim me ordenou o SENHOR pela sua palavra, dizendo: Não comerás pão, nem beberás água; e não voltarás pelo caminho por onde foste. E se foi por outro caminho; e não voltou pelo caminho por onde viera a Betel” (v.9-10). Observe a convicção que ele tinha de que Deus falara com ele.

Em Betel, morava um velho profeta, que sabendo por meio de seus filhos o que aquele outro profeta fizera, tratou de ir ao encontro dele, e quando o encontrou assentando debaixo de um carvalho, se apresentou e lhe disse: “Vem comigo a casa e come pão” (v.15), ao que ele lhe respondeu: “Não posso voltar contigo, nem entrarei contigo; não comerei pão, nem beberei água contigo neste lugar. Porque me foi dito pela palavra do SENHOR: Ali, não comerás pão, nem beberás água, nem voltarás pelo caminho por que foste” (v.16-17). Novamente destacamos a convicção que ele tinha de que Deus falara com ele.

No v.18 vemos que o velho profeta para persuadi-lo, disse: “Também eu sou profeta como tu, e um anjo me falou por ordem do SENHOR, dizendo: Faze-o voltar contigo a tua casa, para que coma pão e beba água”. O escritor sagrado acrescenta uma informação importante: “Porém mentiu-lhe”.

O que se segue é ainda mais assustador. O SENHOR Deus usando o velho profeta mentiroso repreendeu o outro profeta dizendo: “Assim diz o SENHOR: Porquanto foste rebelde à palavra do SENHOR e não guardaste o mandamento que o SENHOR, teu Deus, te mandara, antes, voltaste, e comeste pão, e bebeste água no lugar de que te dissera: Não comerás pão, nem beberás água, o teu cadáver não entrará no sepulcro de teus pais” (v.21-22). E quando ele retomou a viagem de volta para sua casa, foi atacado por um leão que o matou sem devorá-lo (v.24). O velho profeta mentiroso  buscou o cadáver para sepultá-lo, onde posteriormente, quando morreu, também foi sepultado (v.27-32).

Muitas verdades e ensinamentos podemos tirar dessa história, mas, aqui queremos ressaltar apenas a importância de termos as Escrituras sagradas em nossas mãos e de não darmos ouvidos a quaisquer outras palavras, ainda que sejam apresentadas como “revelações de Deus” para nós.

Nos dias de 1Reis 13, a Revelação Especial (as Escrituras) ainda não estava concluída. Hoje, porém, é bem diferente. Em Cristo, toda a revelação de Deus foi concluída (cf. Hebreus 1.1-4). Não há justificativa alguma para alguém deixar de obedecer ao que a Bíblia diz, para obedecer a alguém que vier trazendo uma suposta revelação extrabíblica. Observem que os dois profetas alegaram que Deus falara com eles, embora um estivesse mentindo. Mas, como saberia aquele profeta que o velho profeta estava lhe mentindo? Ele precisaria ver o cumprimento das palavras do velho profeta. Era a única forma.

Hoje, não precisamos mais desses meios. Não precisamos de novas revelações. Temos a Bíblia em mãos. Qualquer palavra que nos for dita deverá ser submetida ao crivo da Palavra de Deus; se estiver em desacordo com a Palavra de Deus, deverá ser rechaçada e desprezada; se estiver em acordo, é desnecessária, pois, a Bíblia já está dizendo isso. Então, o que devemos fazer e conhecer a Palavra de Deus para sabermos qual a Sua vontade.

Onde as Escrituras Sagradas não são a autoridade máxima e exclusiva fonte da revelação e conhecimento de Deus, Cristo não é glorificado, a Igreja não é edificada, e os ímpios não são salvos. Opiniões e ideias opostas umas às outras causarão problemas graves, pois, como a verdade será estabelecida, se, a única Verdade estabelecida por Deus (Sua Palavra) não é o juiz?

Concluímos aqui com o que diz a Confissão de Fé de Westminster, no Capítulo 1 – Da Escritura Sagrada, no §X:

O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura (Mt 22.29,31,32; At 28.25; Lc 10.26). 



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