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Aconselhamento Bíblico Noutético – Orientação Para a Vida


Gafanhotos, fogo e prumo

A princípio, o que essas figuras têm em comum? Leia Am 7.1-9.
Neste texto encontramos uma visão que Deus deu ao profeta Amós que dizia respeito ao povo de Israel.


v.1-3: Deus mostrou a Amós uma devastadora praga de gafanhotos que
atacou a plantação e vegetação quando a erva serôdia começava a brotar
“depois de findas as ceifas do rei” (v.1). As colheitas obedeciam à seguinte
ordem: primeiramente, era recolhida a parte da lavoura que cabia ao rei depois os proprietários da terra e da lavoura recolhiam a sua parte deixando para trás o que era conhecido como rabisco, ou seja, um pouco dos grãos que ficavam nas plantas e o que caía no chão. Esse resto era para os pobres, viúvas e órfãos da terra. Amós viu que a praga de gafanhotos devastava praticamente tudo e o povo ia perecer, por isso, clamou ao SENHOR Deus e Ele não concretizou a praga (v.3).


v.4-6: Deus “chamou o fogo para exercer justiça” (v.4). Mais um ato da justiça de Deus contra o pecado do povo. O fogo devastava tudo, o oceano
(“grande abismo”) e o povo de Israel (“a herança do SENHOR”). Mais uma vez Amós intercedeu pelo povo junto a Deus, e Ele teve misericórdia e não
permitiu que se concretizasse esse ato da justiça divina contra o pecado do
povo (v.6).


v.7-9: a terceira parte dessa visão relata uma cena bem diferente. Amós viu um muro que havia sido levantado a prumo, um instrumento tão antigo
usado pelos pedreiros a fim de deixar a construção reta e em equilíbrio.
Sobre esse muro estava o Senhor (note que a palavra “Senhor” aqui está escrita de forma diferente, apenas com a primeira letra em maiúsculo, o que indica a pessoa do Senhor Jesus Cristo no Antigo Testamento). O Senhor passou o prumo no muro. O significado disso está claro no texto. Deus é quem afere a retidão dos corações, e, no momento em que Ele aferia o coração do Seu povo encontrou somente caminhos tortuosos, injustiça e pecado. A idolatria havia tomado o coração do povo e este estava longe de Deus. Por isso mesmo, Deus haveria de pesar Sua mão sobre o povo e este sentiria as duras consequências do seu pecado.
Um fato intrigante aqui é que diferentemente da visão da praga de
gafanhotos e do fogo destruidor, aqui, na visão do prumo, Amós não
intercedeu pelo povo. Dois pontos precisam ser observados aqui:


1) Temos de compreender o Juízo de Deus contra o pecado partindo
da santidade de Deus e não da nossa fragilidade


Ao observar a devastação dos gafanhotos, Amós apela para Deus
falando da impotência do povo subsistir depois da destruição; obsevando a destruição do fogo, o profeta teme pela sobrevivência do povo e diz  “Pois ele é pequeno”. Veja que o profeta parte da miséria e fragilidade humana para argumentar com Deus. É muito comum cometermos esse equívoco também. Com muita facilidade julgamos pesada e desproporcional a sentença divina. Um exemplo disso diz respeito ao
inferno. É muito comum ouvirmos pessoas dizendo: “Como pode um
Deus de amor mandar Seus filhos para o inferno?”. O senso de justiça própria fala muito alto no coração das pessoas. Elas se veem como “boas”. Logo, se Deus as punir de alguma forma é questionado por estar “exagerando”.
Precisamos partir da santidade de Deus para entendermos a razão da condenação que pesa sobre a humanidade. Ao castigar o pecador Deus está reivindicando a Sua santidade e honra que foram
vituperadas pela criatura.


2) Há limite para nos solidarizarmos com o pecador, pois, a honra
de Deus não deve ser preterida em virtude do bem estar do
homem


O que queremos dizer com isso? O nosso amor pelas pessoas não deve ser maior que o nosso amor por Deus. O Senhor Jesus mesmo nos disse isso: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10.37).
Amós amava o seu povo e por ele intercedeu duas vezes aqui. Mas, quando compreendeu que o julgamento de Deus seria executado não somente porque Deus tinha visto as obras más do povo (a idolatria), mas, as motivações do povo, isto é, o coração de cada um, via não somente o mal, mas, também a maldade e malignidade de cada coração. O Juízo de Deus é reto, o Seu prumo não tem defeito, e, por isso mesmo, o Julgamento é justo.
Muitas vezes demonstramos mais amor pelo pecador que constantemente zomba de Deus e provoca a Sua ira, do que por Deus que é santo. Devemos sim nos compadecer das pessoas que perecem sem a Graça de Deus. Porém, quando o pecador, mesmo tendo sido
alertado de seu pecado e castigo merecido, ainda permanece no seu
pecado e continua zombando de Deus, então temos que nos voltar para a Glória de Deus e honra-Lo por Sua santidade e justiça. Qualquer
atitude nossa que valorize mais o homem do que a Deus não corresponde a Verdade Bíblica, e, por isso mesmo não passa de antropocentrismo barato que não tem poder algum para transformar o pecador e salvá-lo da desgraça eterna. Deus usa um prumo, e este é a Sua própria Palavra. É segundo à Sua Palavra que o nosso coração deve
ser medido, regulado e aprumado.



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