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Aconselhamento Bíblico Noutético – Orientação Para a Vida


Instrumentos nas mãos de Deus

Em Rm 6.13 está escrito:  “nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniquidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça”. Todo o capítulo 6 da carta aos Romanos trata do poder santificador da Graça de Deus na vida daquele que foi alcançado por essa Graça.

A vida na Graça de Deus nos leva a desfrutarmos da forte esperança da vida eterna. Ela nos leva a confiar plenamente no poder de Deus não só para nos salvar como também para nos manter salvos até o fim e nunca perdermos a nossa salvação.

Contudo, é possível que corações desavisados concluam que tal verdade (a de que é impossível perder a salvação que Deus nos deu) lhe dê liberdade para viverem como bem quiserem, pois, se nenhum pecado é maior que a Graça de Deus não há mais nenhum perigo fatal para suas almas. É bem verdade que nenhum pecado é maior que a Graça de Deus, e que nenhum pecado que Seus servos vierem a cometer poderá fazer com que percam a salvação. Contudo, como nos lembra John Piper em seu livro “Lutando contra a incredulidade”, a fé que é do tipo que salva também é do tipo que santifica. Em outras palavras, quem tem a certeza de que foi salvo para viver eternamente com Cristo, também tem de ter a certeza de que deve viver em santidade nesta vida.

Uma fé que não santifica, não é a Fé Salvadora. Isto está claro aqui em Rm 6. Nos v.1,2 Paulo refuta veementemente esse pensamento pecaminoso de que uma vez que a Graça de Deus superabunda sobre nossos pecados, então, se pecarmos mais, mais da Graça de Deus teremos. Nos v.3-7 ele mostra a nossa união com Cristo por meio da Sua morte e ressurreição. Em Sua morte morremos para o pecado; em Sua ressurreição recebemos a nova vida na qual sempre devemos andar em novidade (v.4), sempre renovando nossa mentalidade de acordo com a Palavra de Deus. Nos v.8-10 Paulo nos mostra que a vívida esperança da glória eterna deve produzir em nós submissão total ao Espírito Santo para não mais voltarmos à escravidão do pecado, afinal, Cristo é o nosso Senhor agora. Nos v.11-14 ele trata da santidade na vida diária. Devemos nos considerar mortos para o pecado e vivos para Deus por meio de Cristo. Não somos nossos donos. Sempre seremos escravos. Ou seremos escravos do pecado, ou do Senhor Jesus. Mas como demonstramos que somos escravos do pecado ou de Cristo? Demonstramos que somos escravos do pecado quando satisfazemos a nossa vontade relacionada às paixões carnais. Ao dizer que o crente não entregar “membros do seu corpo ao pecado” (v.13) é aos órgãos sexuais a que Paulo se refere. Quando a pessoa se entrega à lascívia, à promiscuidade, à pornografia, à obscenidade nas palavras e ações, ela está fazendo tudo o que o seu coração pecador quer. O v.14 nos traz uma promessa maravilhosa com relação à nossa luta contra a lascívia: se andarmos em santidade e submissão a Deus o pecado perderá cada dia mais sua força sobre nós. Paulo não está dizendo que o crente não mais pecará, mas, sim, que não será mais escravo do pecado.

                Diante de tudo isso precisamos entender que:

Somos instrumentos para a glória de Deus. Não vivemos para nós mesmos, mas, sim, para Deus (v.11). Não é mais a nossa vontade que está em pauta, mas, sim, a de Deus que é boa, agradável e perfeita (Rm 12.2).

Somos instrumentos que glorificam a Deus quando andamos em santidade. Dizer que cremos em Deus implica em crer também que a santidade de vida é a principal forma que temos de glorificar a Deus, porque uma vida de santidade reflete a obra de Deus em nosso coração, bem como o Seu caráter que está sendo formado em nós dia a dia. Dizer que estamos indo para o céu e vivermos igual aos que estão indo para o inferno é não somente uma contradição como autoengano.

Somos instrumentos de Deus movidos pela força do Seu poder. Assim como qualquer ferramenta só se torna útil quando utilizada pelo instrumentador o qual coloca sobre ela a sua força para que ela realize o que ele quer, da mesma forma, só poderemos fazer alguma coisa para a glória de Deus se Ele nos usar e nos encher do Seu poder. E podemos ter certeza de que Ele já fez isso (2Pe 1.3,4).

Rev. Olivar Alves Pereira
Ad Majorem Dei Gloriam



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