“Depois, revestido este meu corpo da minha pelo, em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros; de saudade me desfalece o coração dentro de mim” (Jó 19.26-27).
Jó estava todo carcomido por feridas, da planta dos pés ao alto de sua cabeça (Jó 2.7). Havia perdido tudo, seus bens materiais, seus filhos; só lhe restara sua mulher que falava como uma doida aconselhando-o a amaldiçoar a Deus e morrer (Jó 2.8,9), e seus amigos, Elifaz, Bildade, Zofar e o retardatário Eliú que aparece somente no Cap.32. Todos eles acusando Jó de algum pecado não confessado que teria causado o seu sofrimento como um castigo de Deus.
Em meio a tudo isso, Jó não somente não negou a Deus e blasfemou contra Ele, como ainda reafirmou a sua confiança e esperança em Deus. A versão da Bíblia, Almeida Revista e Atualizada descreve o sentimento que Jó trazia em seu coração para com Deus como “saudade”. Ele declarou que cria que haveria de ser restaurado fisicamente por Deus, e suas palavras no v.26, inspiradas pelo Espírito Santo apontam para uma das mais importantes doutrinas da Fé Cristã, a saber, a doutrina da Ressurreição Geral que ocorrerá no Dia da Volta de Cristo. Já o v.27 Jó descreve essa estranha saudade que sentia em relação a Deus.
Sim, era uma saudade estranha, porque só podemos sentir saudades de quem ou do que conhecemos. Como poderia sentir saudades de Deus e dos céus se não os conhecia? Dessa forma, este versículo (assim como Ec 3.11) nos mostra que o homem foi criado para algo infinitamente maior que ele, com o qual ele pode ser plenamente satisfeito, a saber, a Glória Eterna. O estranho vazio, a estranha saudade que nos faz sentir a falta de algo que não podemos encontrar nesta vida, pois, nada neste mundo é capaz de tornar plenamente feliz o nosso coração, exceto algo que está acima dele, ou seja, a Glória Eterna.
C. S. Lewis disse que “se eu percebo que coisa alguma neste mundo é capaz de me tornar plenamente feliz, só posso concluir que está fora dele esse algo que procuro”.
A saudade que Jó sentia de Deus mesmo sem conhece-Lo, esse vazio que sentimos no coração em relação aos esplendores desse mundo, são pistas que Deus deixou de Si em nosso coração, para que nos movêssemos procurando-O, até que Ele Se permitisse ser encontrado por nós (cf. Jr 31.3).
Desista de buscar a plena felicidade nas coisas deste mundo, e concentre-se em Deus. Tenha-O como alvo do seu coração, o anseio único de sua alma com o qual coisa alguma mais concorra e dispute. Deleite-se em Deus (Sl 37.3-7).
O coração que se deleita Deus não sente falta de mais nada. Que essa estranha saudade que tomou conta do coração de Jó também tome o nosso coração todos os dias.
Rev. Olivar Alves Pereira
Ad Majorem Dei Gloriam

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