Observe o que dizem essas duas passagens do livro do Eclesiastes:
“Aquilo que é torto não se pode endireitar” (Ec 1.15),
“Atenta para as obras de Deus, pois quem poderá endireitar o que ele torceu?” (Ec 7.13).
Na primeira passagem, Salomão está se referindo àquelas situações nas quais nada pode ser feito para muda-las. A palavra “torto” (עָוַת) significa: ser curvado, dobrado, pervertido. Pode referir-se a atividades imorais e criminosas, porém, aqui não é esse o sentido. “Aquilo que é torto não se pode endireitar” refere-se àquelas coisas na vida que gostaríamos de corrigi-las e endireita-las, mas não temos o poder para isso. Uma enfermidade, uma injustiça impetrada por uma autoridade, uma crise financeira, etc. Philip Ryken afirma: “Há sempre algo na vida que gostaríamos de endireitar, recuperar sua forma original”. Temos esse sentimento em relação a erros e pecados cometidos no passado; “Ah, se eu pudesse voltar no tempo e mudar isso que eu fiz”, quem de nós nunca teve esse desejo? Mas, temos que encarar o fato de que há circunstâncias em nossa vida, quer sejam consequências de nossas escolhas ou não, não podem ser mudadas a despeito de todo o nosso esforço.
Na segunda passagem, o sentido de “o que ele [Deus] torceu” é exatamente o mesmo da passagem anterior, só que com uma importante diferença. Nessa passagem há um chamado para nós descansarmos na sabedoria e soberania de Deus. Em vez de espernearmos e murmurarmos, devemos prestar atenção às obras de Deus, ou seja, no que Ele está fazendo através desses acontecimentos. Isso significa reconhecer a Soberania de Deus. O crente, aquele que ama a Deus sabe que todas as coisas concorrerão para o seu bem que é ter o seu caráter moldado conforme o caráter de Cristo (cf. Rm 8.28-29), e quando ele humildemente se submete a Cristo, não será tomado pelo desespero ou desânimo, mas, saberá que tudo o que está fora do seu controle, não está fora do controle de Deus.
Não sabemos o que acontecerá conosco nos próximos minutos e horas, ainda que tenhamos uma agenda já estipulada. Não sabemos o que irá nos acontecer, mas, se amamos a Deus e confiamos em Sua providência amorosa e poderosa, sabemos que o que importa não é o que irá acontecer, mas, a companhia Dele conosco.
Deus em Sua soberana vontade e eterna bondade nos dá a única certeza que realmente importa nesta vida, a saber, a certeza da vida eterna com Ele. Quem tem essa bendita certeza em seu coração não deve se entristecer com as adversidades da vida. Antes, deve desfrutar das alegrias que puder desfrutar cheio de gratidão a Deus, e quando for acometido por adversidades, confiar em Deus que sabe o que faz, inclusive quando permite que Seus filhos passem por esses dias difíceis.
Não temos como saber se os dias futuros trarão prosperidade ou adversidade, ou até mesmo se esses dias chegarão. Também não precisamos nos entregar ao desespero se confiarmos em Deus. O único dia futuro que deve nos importar é aquele em que nos encontraremos com Cristo, quer seja no dia da nossa morte ou na volta Dele.
Considerar as obras de Deus é mais do que simplesmente pensar nelas; é entregar-se por inteiro a Deus, é confiar sem reservas no Seu infinito poder que pode mudar as circunstâncias se Ele assim o quiser, e se isso servir para mudar nosso coração tornando-nos mais puros, santos e confiantes Nele. Lembre-se de que você não deve buscar mudar as circunstâncias da vida, mas, sim, o seu coração.
Rev. Olivar Alves Pereira
Ad Majorem Dei Gloriam

Deixe um comentário